Como os aromas influenciam o nosso cérebro?
Desde o momento em que nascemos, os cheiros moldam nossas vidas mais do que imaginamos. Você já se sentiu transportado de volta à infância ao sentir o cheiro de chocolate quente, relembrando os invernos frios em casa? Ou o aroma da brisa do mar? Até mesmo o cheiro de grama molhada depois de uma tempestade traz paz, calma e a vontade de respirar fundo até os pulmões se encherem.
Nosso sentido mais primitivo e visceral é também aquele que pensamos usar menos. E então, ele nos atinge no cérebro justamente quando menos esperamos.
É o sentido mais sensível que possuímos, visto que a conexão cerebral ocorre imediatamente.
Esse processo opera por meio da própria neuroquímica do cérebro, desencadeada por odores percebidos, e também influencia aspectos cognitivos como percepção, identificação e associações culturais. Este último aspecto pode exercer uma forte influência nas reações emocionais do indivíduo, tornando-o de particular interesse. Os odores identificam países, lugares, pessoas e até religiões.
Embora inconscientemente, nós, humanos, fazemos julgamentos de valor com base no cheiro que uma pessoa exala; é tão simples quanto iniciar uma conversa com alguém cujo cheiro não nos agrada, criando uma predisposição negativa, e vice-versa.
Qual é a psicologia do perfume?
A psicologia do perfume refere-se à capacidade de certos aromas evocarem diferentes sensações e memórias, e também de modificarem o nosso comportamento com base nelas.
Um cheiro é composto por minúsculas moléculas aromáticas. Quando você inala um aroma pelo nariz, essas moléculas viajam pelos minúsculos nervos olfativos dentro do nariz e vão diretamente para o sistema límbico no cérebro.
O sistema límbico é uma rede de estruturas que controla alguns comportamentos essenciais à vida de todos os mamíferos, como encontrar comida e sobreviver.
Além disso, a amígdala (um órgão do sistema límbico) associa aromas a emoções, e o hipocampo relaciona aromas a memórias. Daí o poder evocativo dos cheiros, que nos transportam de volta a experiências passadas e geram respostas autonômicas em nossos corpos que são impossíveis de controlar.
Possui três funções essenciais: emoções, memórias e excitação (estímulo), que traduz a partir das informações que recebe do ambiente externo.
Portanto, o sistema límbico associa memórias a emoções e aromas, fazendo com que os cheiros nos lembrem de certas situações, lugares ou pessoas específicas.
Da mesma forma, existem também certos aromas capazes de nos acalmar mentalmente e/ou que nos afastam da ansiedade e melhoram o nosso foco no presente.
Por que gostamos de perfumes?
Escolher o perfume certo e usá-lo regularmente proporciona bem-estar emocional e, consequentemente, maior capacidade de tomar decisões na vida, aliviando o estresse e a ansiedade.
Além disso, sabe-se que melhora o humor e torna as pessoas mais propensas a serem positivas e a melhorar os relacionamentos com os outros, pois aumenta a autoestima.
Além disso, não se pode ignorar o fato de que usar perfume torna você mais desejável: algumas fragrâncias atuam como feromônios, fazendo com que quem as usa seja percebido como mais atraente pelos outros.
Da mesma forma, a intensidade e a duração das fragrâncias permitem que nos mantenhamos em contato com as pessoas mais próximas, que inevitavelmente associam nossa fragrância a nós.
Frequentemente não damos importância a isso e só valorizamos a respiração quando a perdemos, como quando estamos com o nariz entupido: nesse caso, a comida não tem gosto de nada e o mundo exterior parece muito distante.
Assim que os recuperamos, voltamos o apetite e nos sentimos mais positivos e com energia renovada.
Neurociência do Olfato
Alguns dos resultados da pesquisa sobre as respostas neurológicas do olfato são os seguintes:
- Ondas cerebrais: o aroma de jasmim aumenta as ondas beta, que ocorrem com mais frequência em estados de concentração ou alta emoção; enquanto o aroma de sândalo e pinho aumenta a geração de ondas alfa, que é a frequência cerebral dominante em estados de relaxamento.
- A pressão arterial diminui com o aroma do neroli.
- A microvibração é um tremor sutil observado em animais de sangue quente, influenciado pela tensão muscular. Esse indicador diminuiu com os aromas de laranja e lavanda. Os aromas de jasmim, camomila e almíscar aumentaram a microvibração e, consequentemente, a tensão muscular.
- Vasoconstrição periférica, associada ao estresse psicológico. Jasmim e pimenta têm efeitos relaxantes.
- Frequência cardíaca: Aromas doces, especialmente de rosa, ajudam a diminuir a frequência cardíaca. Aromas de limão também a diminuem devido ao aumento da concentração em resposta a um estímulo de alerta; a mente antecipa os eventos.
- Capacidade de resposta: o jasmim reduz o tempo de reação a uma decisão, enquanto a lavanda o aumenta.
- Testes de aprendizagem: Os aromas que os participantes consideraram agradáveis aumentaram sua capacidade de memorização. Entre eles, estavam o limão, o eucalipto e o lírio. Lavanda, rosa e laranja também demonstraram aumentar o relaxamento mental, enquanto jasmim, camomila e almíscar estimularam a mente.
- Outros testes mostraram que o aroma do heliotrópio reduz o estresse e a ansiedade .
O sentido do olfato desde o início dos tempos.
Desde os tempos pré-históricos, o olfato nos acompanha e nos ajuda a identificar alimentos, predadores e parceiros.
Assim como naquela época, o olfato continua sendo uma das formas mais importantes pelas quais o ambiente se comunica conosco.
O olfato é, sem dúvida, nosso maior aliado para navegar pelo mundo ao nosso redor. Ele nos ajuda a conectar com o ambiente. Os aromas nos alertam, nos fazem fugir ou atacar, nos conectam a momentos do passado e nos permitem reviver sentimentos e emoções. Ao nascermos, a primeira coisa que fazemos é seguir o rastro do leite materno. E graças a isso, conseguimos relaxar simplesmente sentindo o cheiro da nossa mãe.
O sentido do olfato está intrinsecamente ligado ao instinto de sobrevivência .
À medida que os humanos se tornaram mais sofisticados, começaram a usar o olfato para manipular o corpo e se curar. Muitas civilizações antigas, como o Egito, a China e a Índia, utilizavam a aromaterapia para tratar uma ampla gama de doenças, incluindo dores de cabeça, dores em geral, insônia, eczema, ansiedade induzida pelo estresse, depressão e problemas digestivos.
Conclusão
Existem muitas razões pelas quais adoramos usar fragrâncias, e todas elas estão relacionadas a um motivo poderoso: sem dúvida, os aromas provocam muitas sensações associadas ao bem-estar emocional e à felicidade.
Além disso, tornam cada pessoa única, pois cada fragrância é diferente: elas nos identificam, nos dão personalidade e nos fazem destacar onde quer que estejamos.
Por essas razões, os perfumes se tornaram tão populares em todo o mundo e se tornaram sinônimo de elegância, frescor e classe.
Depois de encontrarmos a fragrância perfeita, não devemos hesitar em usá-la sempre que precisarmos nos sentir mais confiantes. A psicologia recomenda usar nossos perfumes favoritos pouco antes de uma apresentação importante ou de um encontro romântico.
wilfred
Sumamente interesante para el conocimiento del origen de las fragancias , ha sido una herramienta para mejorar mi selección de perfumes .Muy buen artículo .
Benjamín Jordán Liniers
No hay una segunda oportunidad de dar una primera impresión, de ahí en parte la importancia del perfume. Aristóteles decía que nada hay en nuestra mente que no haya pasado antes por nuestros sentidos y sin duda la experiencia sensible influye en nuestra percepción de la realidad y el perfume es esencial en este sentido. En conclusión todo comunica, y si queremos evocar una buena primera impresión es clave el aroma. Excelente artículo, los he leído todos. Gracias por el tiempo al escribir ya que al menos para mi han sido de mucha ayuda los artículos publicados para aprender más.